Andava meio estranha.
Um tanto pensativa, um tanto desconectada de mim mesma, como se houvesse um véu entre aquilo que eu sou e aquilo que eu consigo expressar ao mundo.
Sabe quando sentimos que há muito mais guardado dentro da gente do que aquilo que conseguimos comunicar?
Como se um rio inteiro fluísse por dentro, mas só algumas gotas chegassem à superfície.
Foi assim que me percebi por esses dias.
E não é porque eu tenha silenciado a minha verdade, tampouco porque tenha perdido a fé no que faço.
Pelo contrário.
Minha trajetória terapêutica, que já atravessa mais de uma década, sempre me trouxe respostas e devolutivas vivas das mulheres que atendo, das alunas que acompanho, dos grupos que facilito. Mas ainda assim, algo latejava: a sensação de que eu não estava entregando tudo.
Como se houvesse uma parte inteira do meu ser pedindo passagem, implorando para ser compartilhada, para sair do íntimo e se derramar em palavras, em insights, em reflexões que ultrapassassem os limites da terapia em si.
E então aconteceu.
Acordei com uma clareza que só vem quando a alma decide falar mais alto do que a mente.
Pensei: minha história, meu corpo, minhas vivências, minhas cicatrizes e minhas conquistas, tudo isso merece um espaço mais amplo do que apenas o olhar focado nos traumas sexuais.
Afinal de contas, não é só de traumas que vivem as mulheres.
Nós somos poesia, somos complexidade, somos fogo e água, somos contradição e beleza. Somos muito mais do que a dor que carregamos.
E talvez esse seja um dos maiores aprendizados da minha jornada: o trauma é apenas uma parte da tapeçaria.
Ele marca, sim. Ele molda, sim. Mas ele não define.
O que define é o que escolhemos fazer com ele, o que escolhemos cultivar depois, como replantamos a terra depois da queimada, como abrimos clareiras dentro da mata escura para permitir que a luz volte a entrar.
Por isso, decidi abrir um novo espaço de expressão.
Um espaço onde não vou me limitar a falar apenas de terapias, práticas e curas, mas também sobre percepções da vida, sabedorias que me atravessam, provocações que surgem no silêncio do meu coração.
Um espaço para compartilhar o que pulsa e não se encaixa em uma caixinha específica.
Esse espaço se chama @paula_roberta_insights no Instagram, e também nasce aqui neste blog, como uma página dedicada às reflexões que extrapolam a técnica e se aproximam da alma.
Quero que esses canais sejam como janelas abertas: você passa por aqui e encontra vento fresco, encontra palavras que te convidam a olhar para dentro, encontra histórias que talvez ressoem com as suas próprias, encontra a coragem de perceber que há mais em você também do que aquilo que tem se permitido viver.
Minha trajetória terapêutica começou muito antes de eu assumir esse lugar publicamente.
Ela nasceu de dores íntimas, de perguntas que não me davam sossego, de noites em que me vi quebrada e precisei me reinventar. Mas, aos poucos, percebi que esse caminho não era só meu.
Que aquilo que eu atravessava poderia se tornar medicina também para outras mulheres.
E assim fui compartilhando, aprendendo, ensinando, me lapidando, me expondo, errando, acertando e, principalmente, me tornando.
E o mais curioso é que, quanto mais eu caminhava junto às mulheres, mais eu entendia que a vida não cabe em uma única lente. Sexualidade é um portal, sim. Trauma é um portal, sim.
Mas a vida é muito mais ampla.
É corpo, é espiritualidade, é ancestralidade, é intuição, é criatividade, é coragem de abrir espaço para ser inteira. E essa inteireza pede voz.
Se antes eu acreditava que minha missão era olhar para as feridas, hoje percebo que minha missão é, acima de tudo, inspirar mulheres a acessarem a potência do que são.
Não apenas na sombra, não apenas na dor, mas também na luz, no prazer, na celebração, no riso, na simplicidade da vida.
Escrever sempre foi uma forma de organizar minha alma.
E agora sinto que chegou o momento de compartilhar esses escritos com mais liberdade.
Não apenas como terapeuta, mas como mulher que observa o mundo e que se permite entregar visões, inspirações e provocações que podem acender algo em quem lê.
Por isso, deixo aqui o convite: me acompanhe nesse novo movimento, que é também uma expansão daquilo que já construí.
No Instagram, em @paula_roberta_insights, e aqui no blog, onde essa página será como um diário aberto, uma extensão da minha consciência entregue ao coletivo.
Quero que, ao passar por aqui, você sinta que não está sozinha.
Quero que minhas palavras possam, de alguma forma, traduzir sentimentos que você não consegue nomear, ou provocar reflexões que ampliem sua percepção sobre si mesma e sobre o mundo.
Quero que, através desses canais, possamos criar uma teia invisível de conexão, onde cada insight se torna uma fagulha acesa dentro de nós.
A vida pede expansão. E eu decidi honrar esse chamado.
Seja bem-vinda a esse novo ciclo comigo.
Que possamos, juntas, transformar cada insight em alquimia viva.