O Tipo Dela?

 

Ela já experimentou todos os outros tipos.
O que a seduzia na juventude hoje a entedia.
O que antes lhe parecia aventura agora soa como repetição.
Ela já viveu as tramas do encantamento passageiro, já conheceu os homens que chegam com fogo, mas queimam rápido demais.
Ela já ouviu promessas vazias de quem sabia dizer, mas não sabia permanecer.
Ela já amou a beleza do corpo, mas aprendeu que beleza sem presença é casca oca.
Ela já se aventurou com os que se diziam fortes, mas que desabaram ao primeiro mergulho de profundidade.

Ela é outra agora.
Ela tem sede de algo mais.
Ela quer um homem que tenha alma.

O tipo dela? Um guerreiro espiritual.

Um homem que tenha cicatrizes e que as carregue como medalhas de quem enfrentou as próprias sombras.
Um homem que não fuja da dor, que não negue a vulnerabilidade, que não tenha medo de se despir, não só das roupas, mas das armaduras que a sociedade ensinou a vestir.
Ela quer um homem que tenha transpassado o próprio ego, que tenha se debruçado sobre suas ruínas, que tenha perdido para se encontrar, que tenha sangrado para renascer.

Ela quer um homem que não trema diante do caos de uma mulher real.
Um homem que saiba que o furacão feminino não é para ser domado, mas para ser dançado.
Um homem que não desapareça quando a intensidade dela transbordar.
Um homem que suporte o peso da presença e que celebre a beleza da impermanência.
Um homem que olhe para ela como quem reconhece um universo inteiro — não uma peça para completar o seu quebra-cabeça.

O tipo dela?
Um guerreiro espiritual que sabe que a guerra não é contra o mundo, mas contra os próprios fantasmas.
Que sabe que o maior campo de batalha é interno.
Que já se ajoelhou diante do sagrado porque entendeu que o poder está na rendição e não na dominação.

Ela quer um homem que se conhece o suficiente para não se perder nela.
Ela quer um homem que entenda que relacionamento não é prisão, é caminho.
Ela quer um homem que tenha coragem de segurar a mão de uma mulher selvagem sem tentar aparar suas arestas.
Ela quer um homem que seja abrigo — não jaula.

O tipo dela?
Um homem que não apenas medita, mas que seja a própria meditação caminhando.
Que não apenas fale sobre espiritualidade, mas que a viva no olhar, no toque, na escuta.

Um homem que tenha atravessado seus próprios desertos.
Que tenha aprendido a sentar com a própria solidão.
Que não precise de plateia para se sentir inteiro.
Que compreenda que o prazer é muito mais vasto do que o orgasmo.
Que entenda que presença é o mais afrodisíaco dos perfumes.
Que tenha paciência para explorar cada camada do corpo e da alma de uma mulher.
Que saiba habitar silêncios.
Que saiba mergulhar nos abismos.
Que saiba dançar com as tempestades.

Ela não busca o tipo que todos buscam.
Ela não quer o homem de moldura bonita e conteúdo raso.
Ela não quer o que sabe exibir — ela quer o que sabe sustentar.
Ela não quer o que se gaba da própria força — ela quer o que conhece a própria delicadeza.
Ela não quer o que tenta consertá-la — ela quer o que caminha ao lado enquanto ela se reconstrói.

O tipo dela?
Um guerreiro espiritual que entende que a liberdade dela não é ameaça, é convite.
Que entende que amar uma mulher consciente é ter que morrer e renascer muitas vezes.
Que entende que o caminho não é linear, que o amor não é propriedade e que o encontro verdadeiro não precisa de algemas.

Ela não procura perfeição.
Ela procura verdade.
Ela procura entrega.
Ela procura alguém que se despe das máscaras, que sente, que vibra, que pulsa.

Ela procura um homem que tenha coragem de abrir o próprio coração — mesmo que tenha sido quebrado antes.
Ela procura um homem que tenha passado pelo fogo e que ainda assim mantenha as mãos estendidas.
Ela procura um homem que não queira se salvar dela, mas que queira se perder junto com ela.

Ela procura um homem que escolha ficar quando os monstros aparecerem.
Que não se assuste quando o medo bater.
Que não recue quando o passado emergir.
Que não fuja quando o amor exigir profundidade.

O tipo dela?
Um guerreiro espiritual que não lute contra ela, mas que lute por eles.

E você?
Você é o tipo de homem que sustenta a presença?
Você é o tipo de homem que mergulha sem boias?
Você é o tipo de homem que sabe dançar com a intensidade de uma mulher desperta?
Você é o tipo de homem que entende que amar é um ato de coragem e que construir um amor real é um caminho espiritual?

Porque, veja bem:
Ela já não se contenta com menos.
Ela já não abaixa os olhos.
Ela já não se diminui.

Ela sabe o que merece.
Ela sabe o que busca.
Ela sabe quem ela é.

E se o tipo dela for você, que você seja capaz de reconhecer essa bênção e de honrar o caminho sagrado de amar uma mulher que já fez as pazes com a própria alma.

Seja o guerreiro espiritual que não foge da travessia.
Porque ela não quer mais batalhas pequenas.
Ela quer a guerra de almas que se reconhecem, se desarmam e se encontram.

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