O DIA DAS MÃES E O CHAMADO PARA A CURA DO MUNDO ATRAVÉS DO FEMININO SAGRADO

Há um momento no giro do tempo em que o mundo se curva, mesmo que por um breve instante, diante da força silenciosa e imensurável da Mãe.

Chamam de Dia das Mães.


Mas para nós, mulheres da Terra, filhas da Lua, iniciadas no templo do ventre, sabemos:
não é apenas um dia. É um portal.
Uma abertura vibracional onde se pode sentir o pulsar do feminino em sua origem primordial — antes de ser mãe, mulher, humana: a Fonte.

Todas as pessoas vieram de uma mulher.
Antes de um nome, de um ofício, de uma identidade... éramos água, embalo, pulsação uterina.
Durante nove luas, vivemos mergulhados no grande cálice da criação, alimentados pelo fio da vida que vem do coração da Mãe.

Esse fio não se corta com o parto.
Ele vibra ainda, invisível, unindo corações, gerações, memórias, ancestralidades.
Por isso, ao honrar a Mãe, não honramos apenas a mulher que nos pariu — mas sim a linhagem do Feminino Cósmicoque nos tece, nos embala e nos convoca.

Honrar a Mãe é recordar que a vida nasce do mistério.
E o mistério vive no ventre da mulher.

O feminino não é frágil — ele é o invisível que sustenta tudo.
É no útero que a matéria e o espírito dançam.
É ali que a centelha da alma encontra morada e carne.
É ali que o tempo se curva, que o espaço se dissolve, e o milagre acontece.

Mas esse milagre foi silenciado.
Em muitas culturas, a mulher foi reduzida ao papel de instrumento, e não de oráculo.
O sangue virou sujeira.
A menopausa virou medo.
O parto virou dor sem escolha.
O corpo da mulher, uma vitrine ou uma prisão.
E o ventre... um território ocupado por medos, vergonhas, traumas e silêncios.

Vivemos uma civilização órfã do Feminino Sagrado.
E isso é a origem de tantas feridas da humanidade.

Porque quando esquecemos a Mãe, esquecemos a origem.
Quando desvalorizamos o feminino, desvalorizamos a própria vida.
E o que é um povo sem raiz, sem colo, sem alimento espiritual?

O dia das mães, então, se torna um chamado à lembrança.
Um convite à reverência do ventre, ao retorno ao sagrado, ao despertar do feminino em todos os corpos — homens, mulheres, pessoas além dos gêneros — porque o feminino é uma energia que vive em todas as almas.

Hoje é dia de acender velas para as que vieram antes.
Para as que pariram no escuro,
as que amaram sem retorno,
as que curaram com plantas e cantos,
as que foram queimadas, silenciadas, desacreditadas.

É dia de sentar em silêncio com as avós internas.
Com as memórias uterinas.
Com a dor de ser mulher e também com o êxtase de sê-lo.

É dia de olhar para dentro e perguntar:
Que tipo de mundo eu estou gestando dentro de mim?
Quais sementes planto com minha voz, meu toque, meu cuidado, meus ciclos?
Como eu honro a Mãe em mim e nas outras?

Para além das flores compradas às pressas, para além dos clichês publicitários, para além do almoço de domingo:
que esse dia seja um rito.

Um rito para limpar o sangue ancestral.
Um rito para olhar nos olhos da nossa mãe — na presença ou na ausência — e reconhecer: "Você me deu o dom de viver. Por isso, te honro."

Um rito para agradecer às mães que não puderam maternar.
Às que abortaram, às que perderam filhos, às que escolheram não parir, às que pariram o mundo com suas obras, suas poesias, suas danças, seus silêncios.

Mãe não é só quem dá à luz.
Mãe é quem sustenta o invisível com suas mãos.
É quem ouve com o útero, sente com o coração e fala com a alma.

É dia de ajoelhar na terra e colocar a testa no chão.
De oferecer rosas vermelhas à Mãe Terra.
De cantar para Iemanjá, para Ísis, para Pachamama, para todas as manifestações da Mãe Universal.

É dia de lembrar que o mundo só será curado quando o feminino for ouvido, respeitado e celebrado.
Não como adorno, mas como pilar.
Não como fragilidade, mas como sabedoria.
Não como exceção, mas como origem.

Que cada mulher possa reconquistar o templo de seu ventre.
Que cada homem possa curvar-se com amor diante da mulher que o gestou.
Que cada criança cresça sabendo que o corpo da mãe é sagrado, que a menstruação é um portal, que o toque da avó é remédio.

Que a humanidade volte a se alimentar no colo da Mãe.
No colo das águas, da terra, do leite, das lágrimas.
No colo das que sabem escutar o que não se diz.

Feliz dia para todas as Mães — de sangue, de alma, de criação.
Feliz dia para a Mãe que vive em ti.
Feliz dia para o Feminino que sonha, gesta e renasce no coração do mundo.


Com reverência, amor e saudade do sagrado que nos gerou.
Que assim seja, e assim é.

Comentários (1)
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  • A
    AlineMaio 2025
    Que bela reflexão Paula, amei e irei salvar 🙏🏻 Feliz dia das mães 🌸🌸