Minhas escolhas são como feitiços lançados ao vento

 

 

Não sigo mapas.
Não obedeço roteiros.
E cada vez que alguém tenta me conter, escapo — como a fumaça, como as águas, como os sonhos de uma mulher que acordou tarde demais pra voltar a dormir.

Eu sou feita de decisões que assustam.
Porque não nasci pra agradar.
Nem pra ser palatável.
Nasci pra ferver.
Pra romper.
Pra incendiar o que me limita.

As minhas escolhas não são explicáveis pela lógica, nem justificáveis por quem nunca ousou mergulhar nas próprias profundezas.

Eu escolho com o útero.
Com a pele.
Com o ventre pulsando.
Com o corpo sagrado da minha intuição.

Minhas escolhas vêm do ventre da tempestade, do cio da madrugada, da respiração acelerada de uma alma que arde por viver inteira.
Elas não pedem permissão.
Elas apenas são.

Sim, às vezes, erro.
E daí?
Prefiro os riscos da liberdade à segurança estéril de uma vida morna.
Prefiro a dor do tropeço à anestesia da obediência.

Já tentei caber.
Já tentei ser discreta.
Já tentei andar na linha.

Mas descobri que a linha era uma coleira.
E minha alma nasceu para correr com as lobas, não para sentar em bancos limpos esperando aprovação.

Hoje, honro as minhas escolhas como quem traça encantamentos.
Porque cada vez que digo SIM ao que vibra em mim, algo no universo conspira.
As portas que não deveriam se abrir, se fecham.
As que me pertencem, me reconhecem.
E eu sigo — guiada por algo mais antigo que qualquer manual.

Sou uma mulher em constante feitiçaria.
Transmuto o que me atravessa.
Transformo dor em alquimia.
Transformo pressa em pausa.
Transformo rejeição em poder.

E tudo isso começa quando aceito que as minhas escolhas são perigosas.

Perigosas pra quem me quer domesticada.
Perigosas pra quem se alimenta da minha culpa.
Perigosas pra quem acha que liberdade feminina é um detalhe opcional.

Mas pra mim, elas são o próprio renascimento.

Toda vez que escolho por mim, acendo uma fogueira.
E nela, queimo a necessidade de aceitação, o medo de errar, a vergonha de brilhar.

Eu não nasci para ser amada por todos.
Nasci para me amar o suficiente pra não depender disso.

Minhas escolhas são selvagens, sim.
Porque não as faço com base em regras.
Mas com base em coragem.

São imprevisíveis, sim.
Porque me recuso a repetir padrões mortos.
Prefiro abrir trilhas na floresta do novo.

E são perigosamente minhas.
Porque eu sou dona.
Dona da minha voz.
Dona do meu corpo.
Dona do meu destino.

Se você também sente esse chamado — esse impulso de escolher por você, mesmo que o mundo não entenda — então você já é uma mulher mágica.

Acordada.
Indomável.
Inesquecível.

E talvez, pela primeira vez, perigosamente viva.

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