Feliz dia das BRUXAS

Bem, quem me conhece sabe que eu não tenho religião.

Nunca consegui caber dentro de uma doutrina, de um dogma, de um livro que dissesse o que é certo ou errado sobre o mistério da existência.

Eu sinto Laumu, Deus, Jesus, Buda, Krishina, a vida, o Universo, o Todo, de forma viva, pulsante, arrebatadora.

Eu sinto. E sentir, pra mim, sempre foi a minha forma mais pura de oração.

Acredito em todas as crenças, em todos os nomes que a humanidade já deu ao divino.

Jesus me acolhe.

Buda me silencia.

Krishna me dança.

E cada uma dessas presenças vive em mim, como se o divino tivesse escolhido vestir mil rostos para que jamais nos faltasse o Amor.

Já senti muitas dessas energias me tocarem profundamente, e uma vez que você sente, uma vez que a pele vibra com algo maior do que o próprio corpo, não há como negar.

Não há como dizer “não vi”.

O sentir é uma prova viva.

E quando o sentir desperta, não há mais submissão possível a um único olhar, crença ou caminho.

O respeito cresce tanto, que o coração se expande para acolher tudo, e todos.

Por muitos anos, quando alguém falava sobre bruxas, eu me arrepiava inteira.

Era como se essa palavra trouxesse algo sombrio, distante, perigoso.

Eu dizia com firmeza: não, essa energia não me representa.

Eu me via mais fada, leve, luminosa, dançante.

Acreditava que bruxas eram outras, aquelas que mexiam com coisas que eu não compreendia, e que o mundo havia ensinado a temer.

Mas a vida é sábia, e conduz.

Aos poucos, comecei a me aproximar de pessoas com uma sensibilidade diferente da minha.

Elas viam o invisível, sentiam a energia no vento, conversavam com as plantas, sabiam o nome das pedras e o ritmo da lua.

E quanto mais eu observava, mais eu percebia algo dentro de mim se lembrando.

Como se cada encontro com essas mulheres fosse, na verdade, um reencontro.

Foi ali que conheci uma força que mudou tudo: a Figueira.

Ela não era apenas uma árvore.

Era uma presença viva, uma guardiã silenciosa que me chamava pelo nome antigo, aquele que vibra na alma e não na voz.

A Figueira me lembrava dos dons que eu havia herdado, dons que não se aprendem, apenas se recordam.

E com ela eu comecei a compreender o que significa ser bruxa.

Bruxa não é aquela imagem distorcida que o medo construiu: a mulher sozinha, feia, perigosa.

Bruxa é aquela que lembra.

Que lembra do poder que nasce entre as pernas e floresce no coração.

Que lembra das ervas que curam, das pedras que protegem, do fogo que transforma.

Bruxa é a que conhece os ciclos e respeita os silêncios.

É a que escuta o sussurro das ancestrais e traduz o invisível em gesto, em canto, em cura.

E quanto mais eu aceitava essa verdade, mais o meu corpo se abria em gratidão.

A bruxa que eu havia negado era, na verdade, a parte mais inteira de mim.

A fada e a bruxa, ambas moravam no mesmo coração.

Dona Sete Saias e Maria Figueira!

A luz e a sombra, o encanto e a força, o amor e o mistério.

A Figueira me ensinou que não há separação: há apenas movimento, dança, integração.

Lembro de uma vez, em silêncio, encostando a testa no tronco da Figueira, la em Santa Catarina em 2018 na Montanha Encantada.

Senti a seiva pulsar, um pulso antigo, o mesmo pulso do ventre da Terra.

Ela me disse sem palavras:

“Não temas o nome que te deram.
Bruxa é aquela que sente.
E quem sente, cura.”

Naquele instante, chorei como quem nasce de novo.

Era como se todas as mulheres que foram queimadas, silenciadas, exiladas por ousarem sentir, respirassem através de mim.

Eu sentia ate a minha pele queimar.

E acredite, ela queima até hoje, quando caminho distante do meu propósito.

E eu prometi honrá-las.

Prometi não mais negar o que sempre fui.

Desde então, comecei a caminhar com mais presença.

Percebi que cada passo, cada respiração, cada toque era um ritual.

O corpo é um templo.

O prazer é uma oração.

A lágrima é batismo.

E a mulher, inteira, é o altar.

Foi assim que a espiritualidade se tornou meu chão.

Não mais algo a ser acreditado, mas algo a ser vivido, respirado, encarnado.

E nesse caminho de lembrança, encontrei a mim mesma.

A Paula que não tem religião, mas tem fé em tudo.

A mulher que dança entre mundos e dialoga com as forças invisíveis com naturalidade.

Aquela que entende que não é preciso escolher entre Jesus e a Lua, entre o incenso e a Bíblia, entre o templo e o corpo.

Porque tudo é sagrado.

Tudo é Uno.

E a Figueira continua comigo, assim como a Dona Sete Saias.

Elas são minhas companheiras, guias silenciosas.

Quem me chama quando esqueço quem sou.

Quando me perco nas pressas do mundo, são elas quem sussurram:

“Lembra-te.
Tu és filha da Terra.
Teu corpo é feitiço.
Teu riso é magia.
Teu amor é remédio.”

Às vezes eu rio sozinha, porque compreendo: a verdadeira bruxaria é o amor.

É amar tanto que a presença cura, o toque desperta e o olhar transforma.

É viver com tamanha consciência que até o ar ao redor muda de vibração.

E essa é a magia que todas nós carregamos, mesmo sem saber.

Desde aquele dia em que a Figueira me falou, nunca mais andei sozinha.

A cada ciclo, a cada fase da lua, sinto as presenças se aproximando 

mulheres antigas, de olhos profundos, que trazem na pele a memória do fogo e no coração o perfume da terra molhada.

Elas não falam com palavras.

Falam com vento, com cheiro de lavanda, com o arrepio que vem do nada e me faz lembrar de que há algo em mim que é muito mais antigo do que o tempo.

Eu as sinto quando estou em silêncio, quando medito, quando toco uma pedra, quando acendo uma vela, quando rio sem motivo.

Elas me lembram de que ser mulher é carregar o mapa do sagrado dentro do corpo.

Que nosso útero é um portal de mundos.

Que nossas lágrimas de prazer limpam gerações.

Que o prazer é a força criadora que o patriarcado tentou apagar, mas NUNCA conseguiu.

E quanto mais eu caminho, mais entendo: espiritualidade não é um conceito, é um estado de presença.

Não é sobre fugir da matéria, é sobre encantar-se com ela.

É sobre olhar para a flor e reconhecer nela a mesma energia que pulsa no teu clitóris, no teu coração e nas estrelas.

É sobre entender que o divino não está acima, está dentro, em cada célula, em cada respiração.

Durante muito tempo eu quis ser luz.

Mas a Figueira me ensinou que a verdadeira luz só nasce quando abraçamos a sombra.

E foi ali, no mergulho, que encontrei a alquimia:

transformar dor em medicina, silêncio em sabedoria, prazer em prece.

Hoje, quando me perguntam em que acredito, eu sorrio.

Acredito no toque que cura.

No orgasmo que liberta.

Na lágrima que consagra.

Acredito nas mãos que fazem carinho e nas bocas que dizem “vai doer, mas vai passar”.

Acredito nas mulheres que se olham com ternura e não com comparação.

Acredito que cada corpo feminino é um templo em reconstrução.

E que a cada vez que uma mulher se liberta, todas as que vieram antes respiram aliviadas.

Sim, eu já tive medo de ser chamada de bruxa.

Mas hoje, quando me chamam assim, eu sorrio com orgulho.

Porque bruxa não é quem lança feitiços, é quem desperta consciências.

É quem se recusa a viver no automático.

É quem sente o chamado da terra, do sangue, da lua, e responde com coragem.

Bruxa é quem tem coragem de ser inteira num mundo que insiste em nos querer partidas.

E eu?

Eu sigo com a Maria Figueira.

Ela e mais 6 energias me acompanham quando atendo mulheres, quando conduzo rituais, quando falo sobre prazer e cura.

Sinto que ela sopra nas minhas palavras o mesmo vento que um dia soprou nas Fogueiras das nossas ancestrais.

E quando olho para cada mulher que chega até mim, eu vejo nelas o mesmo brilho:

a centelha do que estava adormecido e agora desperta.

A Figueira me disse um dia:

“O mundo não precisa de mais templos.
Precisa de mulheres despertas.
Cada uma que se liberta, acende mil outras.”

E é por isso que falo de prazer, de orgasmo, de corpo e alma na mesma frase, porque tudo é sagrado.

O prazer é a nossa ponte entre o humano e o divino.

O orgasmo é o portal onde a alma dança com o corpo.

E a mulher que acessa seu prazer profundo torna-se curandeira não só de si, mas de toda a sua linhagem.

Há uma revolução acontecendo, silenciosa, sensual, espiritual.

Ela não vem dos livros nem das igrejas, mas das camas, dos ventres, das lágrimas e dos risos das mulheres que voltaram a se ouvir.

Mulheres que não aceitam mais carregar culpa por serem sensuais.

Mulheres que entendem que espiritualidade também mora no suor, no beijo, na dança, no gozo.

Mulheres que sabem que a santidade não é ausência de carne, mas a consciência do sagrado que vibra nela.

Sim, eu não tenho religião.

Tenho caminho.

E nesse caminho, eu me encontrei.

A Paula que um dia teve medo do nome “bruxa” agora o carrega como coroa.

Porque a bruxa é, antes de tudo, uma mulher que voltou a confiar em si.

E é isso que eu desejo a todas nós:

que confiemos.

Que deixemos cair as máscaras.

Que voltemos a respirar pelo ventre, a rir com o corpo inteiro, a gemer sem culpa, a chorar sem vergonha.

Que deixemos o amor circular.

Porque quando o amor circula, a cura acontece.

Hoje eu sei, a Figueira e todas as outras não estão fora.

Elas moram em mim.

E talvez também more em ti.

Talvez tu também as ouçam quando o vento passa e algo te arrepia.

Talvez o chamado esteja te tocando agora, enquanto lês essas palavras.

Porque este texto não é sobre mim.

É sobre nós.

Sobre todas as mulheres que um dia acreditaram que precisavam se encaixar para serem amadas.

E que agora estão lembrando que nasceram para expandir.

Então, mulher, se ao ler isso algo dentro de ti vibrou, tremeu ou chorou, é teu corpo dizendo:

“eu lembro”.

Lembro das fogueiras.

Lembro dos caldeirões.

Lembro dos risos.

Lembro das irmãs.

Lembro do poder.

E é por isso que hoje te chamo:

vem lembrar comigo.

Vem sentir o que sempre foi teu.

Vem te libertar do medo, da culpa, das amarras invisíveis que te distanciaram do prazer e da tua força.

Vem voltar a ser templo.

Vem ser chama.

Vem ser bruxa, fada, mulher, o que quiser, mas inteira pela sua escolha.

🌕✨

E, em comemoração ao nosso dia, te indico a libertar teus orgasmos mais profundos e sagrados através do Protocolo Mulher Tântrica.

Nesse lugar, tu ris, choras, gritas, gargalhas e te libertas de todas as amarras que te distanciam da tua essência.

Ali, o corpo é reconsagrado, o prazer é devolvido à alma e a mulher renasce como o que sempre foi:

um milagre vivo da criação.

Com amor e verdade,

Paula Roberta 

Guardiã da chama que cura.

Mulher que lembra — e convida outras a lembrar também.

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