De fato, o que é o Tantra?

Bem, quem me conhece sabe que não é difícil perceber o quanto sou conectada à sensibilidade do ser tanto a minha quanto a dos outros.


Essa sensibilidade é como um fio invisível que me atravessa e me liga às histórias, dores, alegrias e pulsares que encontro pelo caminho. Eu sinto o que vibra nas frestas do silêncio.

Eu escuto o que não é dito. Eu percebo as ondulações sutis na presença de alguém, como se um campo inteiro de energia se revelasse para mim, mesmo sem palavras.

Talvez por isso, quando o Tantra encontrou meu corpo e minha alma, não houve estranheza.


Não foi como conhecer algo novo, mas como reencontrar um idioma esquecido, gravado nas células, que de repente se acende.


Foi como caminhar por um território ancestral onde meus pés já haviam pisado antes, só que dessa vez, eu estava consciente de cada passo.

Abrir o mato nesse caminho e compartilhar com outras mulheres que poderiam florescer nele, nunca foi simples.


O Tantra ainda é, para muitos, um lugar coberto de véus.

É confundido com promiscuidade, mal interpretado por olhares que ainda não sentiram.


E eu compreendo: o Tantra não se revela inteiro para quem o olha de fora.

Ele só se abre para quem ousa atravessar aberto.

E é justamente por isso que, quando me perguntam “o que é o Tantra para você?”, eu não respondo com definições.


Eu respiro. Eu sinto. Eu me lembro das vezes em que o Tantra me despiu de máscaras, me fez atravessar dores, me fez mergulhar no meu corpo como se fosse um templo vivo e sem clichês, você simplesmente sente a grandiosidade do ser.

Tantra para mim é um chamado radical para a inteireza.


É o sim à vida em todas as suas faces mesmo as que não são bonitas, mesmo as que doem.
É entender que a luz e a sombra não se anulam, mas se alimentam.
Que a sexualidade é tão sagrada quanto a oração, que o corpo é tão divino quanto o espírito, que o prazer é tão curador quanto o silêncio profundo.

O Tantra é um rio vivo. Ele não corre em linha reta, não segue fórmulas. Ele serpenteia, muda de curso, se infiltra por frestas, inunda espaços secos. E, ao atravessá-lo, descobrimos sete pilares, não como leis escritas em pedra, mas como estrelas que orientam e sustentam essa jornada.

O primeiro pilar: Unidade entre corpo, mente e espírito
No Tantra, não existe divisão entre o que é físico e o que é espiritual.
O corpo é o templo e também o altar.
A pele é o manto sagrado que envolve a alma.
A respiração é o incenso que conecta terra e céu.
Aqui, não subimos para encontrar o divino, nós o encontramos no sangue que corre, no toque que arrepia, na lágrima que cai.

O segundo pilar: Aceitação e transcendência pela experiência
No Tantra, não se foge do desejo, da raiva, da dor ou de qualquer sensaçāo.
Não se reprime a vida.
Cada emoção, cada impulso, cada sensação é vista como um mestre.
Atravessar é mais importante do que evitar.
Não se trata de ceder a todos os impulsos, mas de iluminá-los com consciência, até que eles se transformem em sabedoria viva.

O terceiro pilar: Energia como força criadora e curativa
A energia sexual é a seiva da existência.
É a Kundalini, a serpente dourada adormecida no ventre, que ao despertar, sobe pela coluna, abrindo flores de luz nos chakras, curando feridas antigas, dissolvendo bloqueios, devolvendo o corpo ao seu estado natural de plenitude.


Essa energia não é apenas erótica é criativa, vital, capaz de dar forma ao que ainda não existe.

O quarto pilar: Integração dos opostos
O Tantra é o casamento alquímico de Shiva e Shakti.
É a dança entre o masculino e o feminino, não como gêneros, mas como forças universais.
É permitir que a firmeza e a entrega convivam.
Que a clareza e a fluidez se encontrem.
Que a luz e a sombra conversem até descobrirem que são feitas da mesma matéria.

O quinto pilar: Consciência e presença no aqui e agora
O Tantra nos chama para estar inteiras em cada momento.
Para sentir o beijo como se fosse o único.
Para tocar como se as mãos pudessem ver.
Para respirar como se a vida fosse um presente raro.
O presente é o único lugar onde o êxtase existe.

O sexto pilar: Ritualização da vida
No Tantra, cada ato é uma oportunidade de sacralizar a existência.
Beber água pode ser um ritual.
Cozinhar pode ser um ritual.
O amor, o sexo, a dança, o silêncio tudo pode ser oração.
A vida deixa de ser corrida para se tornar cerimônia.

O sétimo pilar: Liberdade com responsabilidade
O Tantra nos devolve a nós mesmas.
Não há gurus para carregar nosso fardo.
Somos responsáveis por cada escolha, por cada palavra, por cada toque.


A liberdade aqui não é fazer qualquer coisa é saber exatamente o que se faz e, mesmo assim, escolher o que expande e honra a vida.

Esses pilares não se aprendem de fora para dentro.
Eles não cabem em livros, nem em frases prontas.
Eles se revelam no suor, no pranto, no arrepio, no silêncio, no riso, no orgasmo, no suspiro.
Eles se revelam quando o corpo e a alma, finalmente, deixam de ser estranhos e voltam a morar no mesmo lugar.

Para mim, o Tantra não é um caminho que te leva a algum ponto distante.
Ele é o próprio retorno.
O retorno à tua verdade, ao teu corpo, à tua essência selvagem e sagrada.


E é nessa volta que descobrimos que o que sempre buscamos fora… já nos habitava desde o início.

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